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Conhecendo um pouco do novo contraceptivo injetável

Profa Dra Rita de Cássia de Maio Dardes

O Sayana é um anticoncepcional injetável que impede a mulher de ovular durante três meses e que, por isso, é tomado apenas a cada 13 semanas. Ele foi desenvolvido para trazer a mesma eficácia dos contraceptivos injetáveis só com progestativo existentes, porém com uma redução expressiva de dose.

Este contraceptivo tem um formato semelhante a uma seringa com 104 mg/0,65 mL de acetato de medroxiprogesterona que pode ser administrado por um profissional de saúde ou pela própria mulher após a primeira dose. O Sayana deve ser tomado de 13 em 13 semanas através de uma injeção subcutânea, na região exterior da coxa, no abdômen ou na parte superior do braço.

A primeira injeção deve ser feita entre o primeiro e o quinto dia do ciclo menstrual, seguindo os seguintes passos:

  1. Agitar antes de administrar para que fique uma suspensão uniforme;
  2. Aplicar lentamente durante 5 a 7 segundos.

Os efeitos colaterais do Sayana incluem atraso no retorno à fertilidade até 1 ano, perda da densidade óssea, amenorreia e ganho de peso. Além disso, a região da injeção pode ficar endurecida, avermelhada e provocar dor ou coceira.

Alguns critérios de elegibilidade dos injetáveis só com progestativo:

Idade ≥ 35 anos e ≥15 cigarros/dia = 1;
Múltiplos fatores de risco de doença cardiovascular arterial (idade avançada, fumo, diabetes e hipertensão) = 3;
Histórico de hipertensão em local onde a pressão arterial NÃO POSSA ser avaliada (inclusive hipertensão na gravidez) = 2;
Hipertensão adequadamente controlada, em local onde a pressão POSSA ser avaliada = 2;
Pressão arterial elevada (corretamente medida) sistólica 140–159 ou diastólica 90–99 = 2;
Sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 100 = 3;
Histórico de TVP/EP = 2; TVP/EP atual = 3;
Doença Vascular Arterial = 3;
Doença cardíaca isquêmica atual ou histórico = 3;
Derrame (história de acidente vascular cerebral) = 3;
Doença cardíaca valvular complicada (hipertensão pulmonar, fibrilação atrial, história de endocardite bacteriana subaguda) = 1;
Sangramento vaginal inexplicável (suspeita de problema grave) antes da avaliação = 3;
Enxaqueca com aura = 2(I) e 3(C);
Câncer de mama = 4;
Diabetes com danos a rins, olhos ou nervos = 3 (diferente POP = 2);
Outra doença vascular ou diabetes com > 20 de duração = 3 (diferente POP = 2);
Cirrose moderada compensada = 2;
Tumores hepáticos = 3;
Medicamentos que afetam as enzimas do fígado Rifampicin = 2;
Certos anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, barbitúricos, primidona, topiramato, oxcarbazepina) = 2

O Acetato de Medroxiprogesterona é uma progestina sintética que demonstrou possuir várias ações farmacológicas sobre o sistema endócrino:

  • Inibição das gonadotrofinas pituitárias (FSH e LH);
  • Diminuição dos níveis sanguíneos de ACTH e de hidrocortisona;
  • Diminuição da testosterona circulante;
  • Diminuição dos níveis de estrogênio circulante (como resultado da inibição de FSH e indução enzimática de redutase hepática, resultando em aumento do clearance de testosterona e consequente redução de conversão de androgênios para estrogênios).

Benefícios

  • Menor possibilidade de falha e consequentemente esquecimento;
  • Promove amenorréia em longo prazo;
  • Baixa taxa de abandono;
  • Diminuem a frequência e a intensidade das cólicas menstruais, devido amenorreia.
  • Indicado para o tratamento da endometriose;
  • Podem prevenir anemia ferropriva;
  • Ajudam a prevenir problemas como: gravidez ectópica, câncer de endométrio, câncer de ovário, cistos de ovário, doença inflamatória pélvica.

Resumo:

  1. Segurança e praticidade:
    – aplicação trimestral;
    – alta taxa de adesão ao tratamento;
    – evita esquecimento, principalmente em pacientes sem disciplina para métodos com
    posologia diária
    – mulheres que não podem tomar o contraceptivo via oral por não tolerarem bem o
    método; mulheres com contraindicação de contraceptivos combinados
    – boa eficácia do produto segundo o Índice de Pearl.
  2. Equipotência hormonal da pílula x injetável (desmistificar a questão “bomba de
    hormônio”)
  3. Amenorréia atingida com o seu uso prolongado
  4. Baixos índices de efeitos adversos
  5. Baixas taxas de abandono
  6. Preço acessível.

Referências
Royer PA, Jones KP. Progestins for contraception: modern delivery systems and novel formulations. Clin Obstet Gynecol. 2014;57(4):644–58. Product Information Sayana©, Pfizer AG, available from www.swissmedicinfo.ch, [updated Oct. 2014, accessed 2015-09-16]. Dragoman MV, Gaffield ME. The safety of subcutaneously administered depot medroxyprogesterone acetate (104mg/0.65mL): A systematic review. Contraception. 2016;94(3):202 –15. Cameron ST, Glasier A, Johnstone A. Pilot study of home self-administration of subcutaneous depomedroxyprogesterone acetate for contraception. Contraception. 2012;85(5):458 –64. Prabhakaran S, Sweet A. Self-administration of subcutaneous depot medroxyprogesterone acetate for
contraception: feasibility and acceptability. Contraception. 2012;85(5):453–7 Jain J, Jakimiuk AJ, Bode FR, Ross D, Kaunitz AM. Contraceptive efficacy and safety of DMPA-SC. Contraception. 2004;70(4):269–75. Kaunitz AM, Darney PD, Ross D, Wolter KD, Speroff L. Subcutaneous DMPA vs. intramuscular DMPA: a 2-year randomized study of contraceptive efficacy and bone mineral density. Contraception. 2009;80(1):7–10